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Os exercícios de alongamento até hoje ensinados nos
colégios, clubes, academias, e mesmo profissionais do esporte e da saúde, não
passam de perda de tempo se feitos de maneira tradicional que foram ensinados e
ainda são. Afinal, quando são revisadas pesquisas sobre os princípios mais
aceitos sobre treinamento de flexibilidade, vê-se que eles simplesmente não
funcionam. Pior, se você seguir muito a sério todas as regras sobre
alongamento, a probabilidade de você sofrer uma distensão muscular é muito
maior do que se não tivesse feito alongamento, principalmente porque as pessoas
geralmente não sabem fazer da maneira correta e não sabem respeitar os próprios
limites. Portanto, repensem suas idéias sobre o assunto.
Por isso este artigo vem apresentar novas regras sobre
alongamento e apresentar um plano sobre flexibilidade muito simples de ser
executado. Assumindo novas regras você correrá menor risco de sofrer lesões e
melhorará seu desempenho.
Primeiro vamos entender a base científica sobre o
alongamento e fibra muscular. Existem dois tipos principais de alongamento: o estático e o dinâmico. O alongamento estático baseia-se na técnica para aumentar
a flexibilidade, ao se manter uma posição com o músculo desejado na sua maior
extensão possível, por um período de 20 a 30 segundos. O alongamento dinâmico
consiste na reprodução de movimentos corporais iniciados em ritmo lento e
confortável, esse ritmo e amplitude devem ser aumentados até que se consiga
fazer o movimento rapidamente, os exemplos serão dados passo a passo
posteriormente.
Vamos conhecer agora um pouco mais sobre fibras
musculares. Basicamente são conhecidos dois tipos de fibras, fibras de
contração lenta e contração rápida. Convencionou-se chamá-las de modo mais
didático respectivamente Tipo I e Tipo II, isso porque as do tipo II
podem ser desmembradas em II a, II b e II c, de acordo com funções motoras anaeróbicas.
Fibras tipo I – são fibras que possuem altos níveis de mioglobina,
carregam muitas mitocôndrias, possuem alto poder de carregar oxigênio, ou seja,
são responsáveis pelo desempenho de atletas fundistas.
Fibras tipo
II a – possuem capacidade tanto
aeróbica quanto anaeróbica, sendo assim consideradas intermediárias.
Fibras tipo
II b – possuem um maior potencial anaeróbico,
sendo a verdadeira fibra rápida, ou seja, mais presentes nos atletas de
explosão muscular.
Fibras tipo
II c – são mais raras podem
participar da reinervação ou da transformação das unidades motoras (unidade
motora correspondente ao neurônio motor e as fibras musculares inervadas por
ele).
É certo abandonar o alongamento tradicional? Apesar de
ser receitado regularmente como uma forma de prevenir lesões, o alongamento
estático antes das atividades físicas pode ser a pior das estratégias. Pelo fato
de forçar o músculo alvo a relaxar, ele fica enfraquecido temporariamente, o
alongamento estático também reduz o fluxo sanguíneo e diminui a atividade do
sistema nervoso central, isso inibe o poder do cérebro de se comunicar com os
músculos, o que limita a capacidade de gerar força, ou seja, nunca faça
alongamento estático antes de malhar ou praticar esportes.
Mas, antes de você abandonar para sempre o alongamento
estático, saiba que ele tem o seu valor, isso porque melhora sua flexibilidade
“passiva”, é bom para esforços não-atléticos do dia-a-dia, como curvar-se,
ajoelhar e agachar, o que você precisa saber é o alongamento certo para a hora
certa.
O alongamento estático pode e deve ser
feito a qualquer hora do dia, menos antes de praticar esportes, para melhorar a
flexibilidade geral. Faça duas vezes por dia todos os dias, se a freqüência for
menor, você não mantém o que já conseguiu em flexibilidade. Faça
apenas um alongamento para cada músculo mantendo a posição 20 a 30 segundos, os avanços
na flexibilidade são conseguidos no primeiro alongamento, repetir os mesmos
movimentos dá poucos resultados. Siga essas regras para aqueles alongamentos
clássicos como: puxar a perna para trás para alongar a parte anterior da coxa;
se inclinar tentando encostar as mãos nos pés para alongar a parte posterior da
coxa; se inclinar contra a parede com uma das pernas atrás para alongar a
panturrilha, etc. Esse tipo de alongamento aumenta sua flexibilidade somente
naquela exata postura, quando se move em baixa velocidade, se você for
contorcionista tudo bem, mas pouco adianta para a flexibilidade de que você
precisa nos esportes e treinamentos com peso, atividades que exigem que os
músculos se alonguem rapidamente em várias posições.
Por isso o alongamento dinâmico é componente
necessário para um programa de flexibilidade “ativa”, o tipo ideal para todos
os esforços atléticos.
O alongamento dinâmico estimula o sistema nervoso
central e aumenta o fluxo de sangue, aumentando assim a produção de força.
Portanto, é o aquecimento ideal para qualquer atividade. Quando você faz com
regularidade tanto o alongamento estático quanto o dinâmico, uma parte do ganho
em flexibilidade de um tipo será transferida para o outro.
Como e quando fazer o alongamento dinâmico? Como
aquecimento antes de qualquer tipo de prática esportiva, para melhorar seu
desempenho e reduzir o risco de lesões.
Faça a seguinte rotina de exercícios, você
provavelmente já os conhece: rotação dos ombros com os braços estendidos nos
sentidos para frente e para trás; rotações do tronco; polichinelos; simulação
de corrida saltando alternadamente tentando tocar os calcanhares nas nádegas;
fazendo uma marcha alta saltando e levantando os joelhos para cima; faça a
mesma marcha alta fazendo rotações do quadril levando os joelhos de fora para
dentro assim como de dentro para fora (como você costuma ver os jogadores de
futebol fazendo para aquecer); faça tiros curtos de corrida para frente, para
os lados e para trás. Lembre-se sempre de começar com amplitudes pequenas e os
movimentos feitos de forma lenta, vá aumentando gradualmente tanto a amplitude
quanto a velocidade respeitando sempre os seus limites. Boas corridas.
Rômulo do Carmo Oliveira
Fisioterapeuta
Rômulo do Carmo Oliveira é pós-graduado em
fisioterapia traumato-ortopédica, pós-graduando em osteopatia
musculoesquelética, possui especialização em terapia manual (Mulligan,
Maitland, Mobilização Neural, Estabilização Segmentar Vertebral e Periférica) e
possui um Studio de Pilates onde é instrutor do método, localizado na Academia
Body Fit na Rua José Higino, 148. Qualquer dúvida sobre esse e outros assuntos
tel.: (21) 8153-4417.
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